sexta-feira, 2 de abril de 2010

A formação do investidor em ações

Entendo que a educação do investidor em ações seja composta por dois pilares: a teoria e a prática.

O conhecimento teórico do investidor é construído por meio da leitura de bons livros, de relatórios da administração e de textos de análises de empresas e mercados, assim como pelos cursos e congressos que venha a participar.

O conhecimento prático vem de se vivenciar o mercado investindo. Para saber como o mercado funciona no dia-a-dia, o investidor precisa operar nele, ou seja, comprar e vender ações.

Tanto a formação teórica quanto a prática são processos que nunca devem ter fim enquanto estivermos investindo.

Sem exceção, todos os investidores bem sucedidos são pessoas abertas a novos conhecimentos e experiências e estão sempre se atualizando. Eles são cuidadosos o suficiente para não deixarem o seu sucesso criar neles a falsa percepção de que sabem tudo sobre o mercado de ações. Pelo contrário, têm a consciência de que o seu sucesso é o resultado de estarem sempre em busca de novos conhecimentos.

Em um outro post falarei com mais detalhes sobre os conhecimentos teórico e prático para a formação do investidor em ações.

terça-feira, 16 de março de 2010

Dúvida de Investidora: "Como minhas ações não sobem, será que devo vendê-las?" - Parte III

Hoje, fechamos esta série de três posts tratando do item 3 abaixo:

3. Durante o período que manteremos o nosso dinheiro investido em ações, caso a ação suba, temos definido um percentual mínimo de alta para ela que nos deixará satisfeitos, a ponto de cogitarmos a sua venda? Caso a ação venha a cair no período, qual é a queda máxima que nos dispomos a aguentar, antes de vendê-la?

Ter objetivo é fundamental para o sucesso em investimentos em ações. 

Assim como é necessário ter bem clara a razão do dinheiro estar aplicado e o tempo planejado para tal fim, precisamos definir antes de investi-lo metas de resultado (para as altas nas cotações) e de proteção (para as quedas nas cotações). 

Sugiro-lhe definir uma meta anual de retorno para as suas ações, de acordo com duas premissas:

-o potencial de alta das ações estimado por você através da análise de alguns indicadores financeiros e qualitativos da empresa;

-o percentual de retorno (a rentabilidade) mínimo que você deve receber por investir o seu dinheiro no mercado de ações, um mercado de renda variável em que há risco. Este percentual deve ser superior à soma da rentabilidade de aplicações de baixo risco (como os títulos públicos) com a inflação.

Você precisa também estipular um percentual de queda máximo que se dispõe a aguentar para minimizar possíveis prejuízos financeiros. Tal prática é conhecida no jargão do mercado como "stop loss" (cortar prejuízos, em uma tradução livre). Uma observação que gostaria de fazer: lembre-se que para recuperar uma queda de x% no preço das suas ações, você terá de obter uma alta de 2x%. Exemplo: Uma ação cujo preço despencou de R$10,00 para R$5,00 (queda de 50%) deverá subir 100% para recuperar a cifra de R$10,00.

Se você fixou que uma queda de 20% no preço das suas ações é o seu limite, venda-as caso elas atinjam tal perda. Quem não usa "stop loss" está sujeito a sofrer prejuízos significativos, pois não temos como prever qual é o piso de queda que uma ação pode chegar.


domingo, 14 de março de 2010

Dúvida de Investidora: "Como minhas ações não sobem, será que devo vendê-las?" - Parte II









Dando continuidade, falo hoje do item 2.


2. Por quanto tempo pretendemos deixar o nosso dinheiro investido nas ações da empresa e qual o motivo de investirmos os nossos recursos em suas ações?

Ao ter um sistema de monitoramento periódico das empresas nas quais investe, você continuará de posse das ações delas enquanto concluir, após cada monitoramento, que as perspectivas de médio a longo prazos continuam positivas. 

Acho importante também fazer o seguinte parênteses: como as empresas dificilmente alcançam resultados no curtíssimo e curto prazos, sugiro que você, após analisar uma empresa e decidir investir nas ações dela, deixe o seu dinheiro aplicado nelas por pelo menos 1 ano e tente se ver como sócio da cia. e não apenas como dono de um papel.

Agora, você as venderá, caso as perspectivas deixem de ser animadoras, assim como quando atingir o tempo programado (você precisa tê-lo definido antes de aplicar o seu dinheiro) para o investimento em ações.

Este tempo programado tem relação direta com o porque você investiu em ações: não temos como estabelecer o tempo que deixaremos o nosso dinheiro investido sem saber por qual razão ele está aplicado.

Todo investimento precisa ter um objetivo claro pré-definido pelo investidor. Já conversei com pessoas que dizem investir o dinheiro delas para vê-lo crescer ou para terem segurança e tranquilidade financeira no futuro (um tanto vago, não acham?). 

Quando o objetivo para o investimento não está claramente definido, limitamos bastante o potencial do nosso dinheiro atingir uma rentabilidade satisfatória e as chances de sofremos prejuízos financeiros aumentam muito também. Quem não sabe aonde quer chegar, não consegue ter foco e desenvolver um plano de ação que o conduza até o seu objetivo, mas sim está sujeito a tomar decisões equivocadas e nocivas ao seu dinheiro à medida que surgem os desafios e as dificuldades no meio do caminho.






sábado, 13 de março de 2010

Dúvida de Investidora: "Como minhas ações não sobem, será que devo vendê-las?" - Parte I

Outro dia, conversava com uma investidora que estava descontente com as ações do Banco do Brasil (BBAS3), compradas há 6 meses.

Ela me contou que o valor das ações manteve-se praticamente estável no período. Assim, ela estava em dúvida se as vendia ou não, dizendo: "Poxa, comprei as ações há 6 meses e elas subiram tão pouco! Será que devo vendê-las? ".

Esta é uma dúvida frequente dos investidores. Para decidirmos se vendemos ou não as ações de uma empresa, devemos avaliar os seguintes aspectos:

1. Os motivos que nos levaram a comprar as ações de uma determinada empresa continuam válidos?

2. Por quanto tempo pretendemos deixar o nosso dinheiro investido nas ações da empresa e qual o motivo de investirmos os nossos recursos em suas ações?

3. Durante o período que manteremos o nosso dinheiro investido em ações, caso a ação suba, temos definido um percentual mínimo de alta para ela que nos deixará satisfeitos, a ponto de cogitarmos a sua venda? Caso a ação venha a cair no período, qual é a queda máxima que nos dispomos a aguentar, antes de vendê-la?

Hoje, falarei do item 1 e nos próximos dois posts dos demais.

1. Os motivos que levaram um investidor a comprar as ações de uma determinada empresa continuam válidos?

Antes de tratar deste item, gostaria de fazer algumas observações: todo investidor precisa buscar entender a empresa e o mercado no qual ela atua antes de adquirir suas ações. Precisamos acabar com o mito de que analisar uma empresa e o seu mercado são atividades complexas que apenas os profissionais do mercado de ações são capazes de realizá-las. Em posts futuros, mostrarei como o investidor comum, aquele que não é profissional de mercado, pode desenvolver uma ótima compreensão de uma empresa e do seu mercado, tendo, assim, condições de tomar uma decisão se investe nas ações dela ou não.

De volta ao nosso item 1, você, investidor, deve avaliar periodicamente se os motivos que te levaram a comprar as ações de uma empresa permanecem válidos. 

Sempre após a divulgação dos resultados trimestrais, analiso como foi o desempenho das empresas nas quais invisto no período e também como se comportaram os segmentos econômicos nos quais elas estão inseridas. Para analisar a performance das companhias, leio os relatórios trimestrais que elas emitem, vejo o balanço e comparo os números atuais com os do trimestre anterior, bem como posso vir a fazer contato com as áreas de relações com investidores delas para mais esclarecimentos. Já para os mercados em que elas atuam leio relatórios elaborados pelas associações de classe (trazem informações sobre o desempenho do setor, suas perspectivas e potencialidades), pelas corretoras/bancos e pelas consultorias especializadas em investimentos e análise econômica de mercados, como a Lafis http://lafis-br.blogspot.com/, além de normalmente os seus relatórios trimestrais também trazerem algumas informações sobre eles e os profissionais de relações com investidores também serem fontes importantes de informações.

Então, investidor, é fundamental você monitorar frequentemente a evolução dos negócios das empresas que  investe, como também dos mercados em que elas atuam. Assim, você verá se as perspectivas permanecem positivas ou não para os próximos meses ou anos. Se concluir que as perspectivas não são animadoras, o melhor a fazer é vender as suas ações e buscar outras empresas para avaliar e investir. 

Você tem o hábito de monitorar o desempenho das empresas nas quais investe? Como você faz?

sábado, 6 de março de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Você dá a devida atenção aos riscos quando investe em ações?

Quando analisamos uma empresa que pode vir a ser um novo investimento, tendemos a nos concentrar além do que deveríamos nas oportunidades de crescimento futuro para a cia. em questão. Isso acaba ofuscando o nosso olhar, pois passamos  a não dar a devida atenção aos riscos potenciais que a empresa pode enfrentar e que podem comprometer a sua performance.

Creio que é da natureza humana supervalorizar os pontos positivos e as potencialidades de mercado existentes para uma empresa, assim como a subavaliar os riscos que podem ameaçar o desempenho do negócio. O ser humano tem dificuldade em lidar com riscos e problemas em potencial, porque eles geram emoções negativas e medos que o nosso cérebro está programado para tentar evitar.

Quando vou avaliar uma empresa, tento equilibrar os pontos positivos-oportunidades de crescimento com os riscos. Darei o exemplo de uma empresa que comecei a analisar há alguns dias, o Paraná Banco.

Lendo os relatórios da administração do Banco e estudando um pouco da dinâmica de funcionamento do segmento de Bancos Pequenos e Médios (BPM), destaco os seguintes pontos positivos e oportunidades em se investir nas ações do Paraná:

-atuação no mercado de seguros e resseguros - especificamente, ele opera em um nicho em seguros para projetos de infra-estrutura onde possui liderança de mercado e grande know-how;
-forte presença no segmento de crédito ao consumidor, especialmente crédito consignado;
-como o crédito corporativo voltado a pequenas e médias empresas possui uma participação ainda pequena na carteira de crédito total do banco e existe um grande potencial de crescimento nos próximos anos para o crédito corporativo no país, o Paraná deseja crescer rapidamente neste mercado. Uma amostra disso é a informação que consta no relatório da administração do ano de 2009 em que a instituição informa que contratou 15 pessoas para trabalhar na sua área de crédito corporativo.
-agilidade na execução das suas operações.

Agora, falemos de riscos em potenciais que podem limitar o crescimento do Paraná:

-o mercado de crédito direto ao consumidor está cada dia mais competitivo com a atuação agressiva de grandes bancos, como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú-Unibanco;
-novamente a concorrência crescente com os grandes bancos em crédito corporativo a pequenas e médias empresas, assim como no mercado de seguros é um desafio aos BPM;
-instituições de grande porte possuem uma capacidade e um custo de captação de recursos que os BPM nem de longe têm;
-os grandes bancos estão operando cada vez mais em nichos tradicionalmente trabalhados pelos BPM;
-O Paraná faz parte do Nível 1 de Governança Corporativa da Bovespa. Poderia ter uma governança melhor, estando no Novo Mercado.

Nossas decisões de investimento devem ser conduzidas o máximo possível de maneira racional. Deveriam ser 100% racionais, porém me parece impossível nos desvencilharmos totalmente da influência das nossas emoções.

Então, para que as nossas análises e decisões sejam conduzidas da forma mais racional possível, é importante o investidor ter um método de investimento que defina critérios de investimento e desinvestimento, bem como   objetivos de resultado.

Assim, teremos um entendimento apropriado das oportunidades e riscos de uma empresa e estaremos preparados para tomar uma decisão de investimento com segurança.

Ao avaliar uma empresa, não esqueça de se perguntar várias vezes "Estou dando a devida atenção aos riscos?".