sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Congresso de Investimentos em Ações

Pessoal,

Amanhã, participarei do I Congresso do Instituto Nacional de Investidores (INI) no Rio de Janeiro. Assistirei a palestras, mesas redondas, wokshops e painéis com importantes profissionais do mercado de capitais e executivos de grandes empresas com ações negociadas na Bolsa. Serão abordados temas interessantes nas palestras, mesas redondas etc, tais como "O Mercado de Ações Brasileiro: Como Atingir 5 Milhões de Investidores até 2014?"; “Perspectivas para o mercado de ações Brasileiro 2010 a 2014”; “Riscos e Oportunidades na evolução do crédito no Brasil. Expectativa para os próximos anos”; Finanças Comportamentais - “Por que as pessoas são impacientes com o lucro e tolerantes com o prejuízo – Aprenda a se descobrir como Investidor!”.


Participam do evento mais de 200 pessoas que são gestores de clubes de investimentos, investidores individuais em ações e profissionais do mercado de capitais. Para mais detalhes sobre o evento, acessem: http://www.ini.org.br/congressoini/ .

Vou de ônibus hoje à noite para o RJ. Encararei 6 longas horas de viagem para ir e mais 6 para voltar! Porém, tenho certeza que valerá super à pena!

Abraços,

Dudu

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Alguns Pensamentos sobre Bolsa de Valores e Investimentos em Ações

Pessoal,

Com este post, divido com vocês algumas opiniões pessoais sobre investimentos em ações e a dinâmica do mercado acionário.

Um Abraço,

Dudu

1. É uma certeza que as crises na bolsa ocorrerão periodicamente. A bolsa tende a acompanhar a dinâmica cíclica de crise e prosperidade do capitalismo, como também outras irracionalidades humanas não diretamente relacionadas à economia (crises sociais e políticas). Assim como as crises acontecerão, é uma certeza que elas vão passar e, desta forma, uma nova época de crescimento se inicia. Nos últimos 20 anos tivemos crises e recessões econômicas nacionais e estrangeiras que abalaram sensivelmente as Bolsas em todo o mundo em intervalos a cada 3, 4 ou 5 anos. Por isso que investir em ações abaixo de uma prazo de 3 anos é arriscado.


Adoto a classificação abaixo para o tempo em investimentos.

Curtíssimo prazo: até 1 ano

Curto prazo: acima de 1 ano e até 3 anos

Médio prazo: acima de 3 anos e até 5 anos

Longo prazo: acima de 5 anos

Ações devem ser um investimento de no mínimo médio prazo.

2.O mercado de ações não é sempre eficiente no curto prazo, como ensina a teoria de finanças. Ele é quase sempre eficiente. No longo prazo, o mercado tende a ser sempre eficiente. Podemos pensar no mercado de ações como sendo uma pessoa que tem um comportamento esquizofrênico: alterna momentos de extrema euforia, acreditando que o tempo das vacas gordas durará para sempre, e outros de profundo pessimismo, apenas enxergando coisas ruins e não acreditando em quaisquer possibilidades de melhora. Cabe a nós aprendermos a lidar com o "sr. Mercado", aproveitando as boas oportunidades que ele nos oferece e não nos deixando influenciar pelo seu comportamente. Seguir o comportamento do mercado pode ser muito perigoso.
3. As crises devem ser vistas como grandes oportunidades para a compra de ações com grande desconto em seu preço, pois, na média, os seus preços caem. Umas ações sofrem mais, tendo quedas acentuadas (blue chips), e outras menos com quedas menores (middle e small caps). Adquirir ações em momentos de crise é como comprarmos aquela roupa de marca que tanto desejamos com um grande desconto nas liquidações de início de ano. Para quem tem ações, nunca vendê-las durante uma crise. Uma decisão de venda deve ser tomada somente em caso de problemas com a empresa (ou seja, deterioração dos seus fundamentos) ou quando atingimos o retorno planejado para o nosso investimento.

4. Investimento em ações é uma das áreas da vida que devemos separar razão de emoção. Se quisermos ser bem sucedidos, precisamos ser totalmente racionais e analíticos. É muito importante cada um de nós se auto-conhecer, isto é, sabermos como nos sentimos e nos comportamos ao vermos o nosso dinheiro, em poucos dias, semanas ou meses, perder 10, 20, 30, 50, 60% do seu valor. Se vc não aguenta ver isso acontecer e se desespera, vc deve investir aos poucos em ações e quem sabe nem mesmo entrar no mercado. É uma certeza que em vários momentos veremos nossas ações caírem, porque as crises acontecerão.
5. Ter muito cuidado com e desconfiar de dicas, conselhos e recomendações. Existe muita boataria no mercado e pouquíssimos são os investidores, os profissionais e as instituições financeiras cujas opiniões merecem ser consideradas.

6.Para aprender sobre o mercado de ações a prática é necessária: devemos analisar e acompanhar não só as empresas que investimos como também outras companhias que podem vir a integrar a nossa carteira futuramente. Algumas leituras, escolhidas a dedo, são  também importantes fontes de aprendizado.

7.Termos certeza absoluta que cometeremos erros ao longo da nossa trajetória como investidores. Não existe investidor infalível no mercado. Os investidores bem sucedidos erram e erram muito! Então, o que os faz terem sucesso em seus investimentos? Acertar mais do que errar. A pequena diferença entre acertar mais do que errar resulta em excelentes retornos.

8. Nunca teremos 100% de certeza sobre qualquer coisa no mercado de ações. As nossas análises e estudos das empresas nos dão subsídios para tomarmos decisões com um bom nível de segurança e confiança.

9. O risco tem relação direta com o conhecimento. Ou seja, o risco de um investimento é menor quanto mais conhecimento temos da empresa e do seu segmento econômico de atuação, vice-versa.

10. Empresas têm pontos fortes e pontos fracos. O que determina se compramos ou não suas ações é o nosso entendimento sobre a existência de pontos fortes que compensem em muito as suas fraquezas, proporcionando o seu crescimento no médio e longo prazos.

11. Independente do momento que a bolsa se encontra (em uma fase de valorização, de crise ou no início de um processo de recuperação ou de crise), quase sempre existirão empresas cujas ações estarão subavaliadas.

12. O desempenho dos negócios de grande parte das empresas com ações negociadas na bolsa depende totalmente ou quase totalmente do mercado interno. Assim, devemos dar atenção à conjuntura econômica brasileira, analisando indicadores de investimento em produção, emprego, renda, consumo, produção industrial, inflação, taxa de juros etc.

13. O preço que pagamos por uma ação é um ponto importantíssimo. Se pagarmos além ou muito além do valor justo pelas ações de uma companhia, existe uma tendência de diminuirmos nosso retorno e de aumentarmos as chances de prejuízo financeiro, pois fortes valorizações nas ações, que não sejam justificadas por um grande crescimento dos negócios (sendo, portanto, artificiais e decorrentes das irracionalidades do mercado), podem ser eliminadas a qualquer momento por uma correção nos preços. A nossa meta sempre deve ser a compra de ações de empresas excelentes (pelos critérios de análise fundamentalista) a preços abaixo do que realmente elas valem ou no mínimo por um preço justo.

domingo, 22 de novembro de 2009

Capoeira em grande estilo!

Outro dia assisti "Besouro: o filme".

Gostei muito. Acho que o filme está bem produzido. Resumo-o em duas palavras: imperdível e espetacular!

Nele, a Capoeira é retratada fielmente tanto na parte física quanto na espiritual.

Com raras exceções quando o personagem Besouro dá extensos saltos, a riqueza de movimentos que o espectador vê existe na Capoeira. Tais movimentos fazem parte do treinamento dos capoeiristas, sendo bastante usados nas rodas.

Um dos pontos altos do filme é a relação da Capoeira com o Candomblé. Vemos como as entidades se relacionam, protegem e guiam Besouro. Este lado espiritual da Capoeira é pouco conhecido do grande público e também de muitos capoeiristas.

Um filme obrigatório para todo capoeirista. Para o público em geral, uma oportunidade de ouro para conhecer um pouco mais de uma das mais belas manifestações culturais do nosso povo.

Abraços,

Dudu

domingo, 2 de agosto de 2009

Entrevista com Mestre Nelson

A partir de hoje aos domingos, terei aqui no Blog um espaço para entrevistas. Entrevistarei pessoas das áreas que tenho interesse.
E para inaugurarmos esse espaço, entrevisto o Mestre Nelson de Souza Aguiar, mestre de capoeira e presidente do Grupo Ginga Paulista e do Centro Cultural Virtual Ginga Paulista.
Como sabem, eu pratico Capoeira. O Mestre Nelson é meu mestre e amigo.
Foto: Mestre Nelson
Eduardo - Quando e como foi que começou na Capoeira?
Mestre Nelson - Comecei na Capoeira quando tinha 10 anos em 1980. Conheci a Capoeira através dos meus amigos da turma de futebol de rua. Num dia em que fomos jogar bola, vi um deles fazendo alguns movimentos de Capoeira e aquilo me encantou. Depois de alguns dias, encontrei um outro amigo também do futebol chamado Luis. Ele estava vindo do treino de Capoeira, vestido totalmente de branco com o seu cordão verde. Perguntei a ele onde ele treinava e fiz muitas perguntas. Ai, ele me convidou para conhecer o seu grupo de capoeira que ficava no Sesc Dr. Vila Nova. Assim, iniciei a prática da Capoeira no Grupo Ginga Paulista com o Mestre Zim Pachom.

Eduardo - Fale um pouco sobre a história e o trabalho do Grupo Ginga Paulista?
Mestre Nelson - Quando iniciei, o Mestre Zim Pachom ensinava Regional e Angola, mas a especialidade dele era a Regional, pois ele disputava muitos campeonatos nacionais e internacionais de Capoeira. E para campeonatos, o treinamento de Regional é o mais indicado.

Em 1986, recebi a graduação de formado e o meu Mestre me indicou para treinar com o Mestre Gladson de Oliveira Silva, um dos membros da Federação Paulista de Capoeira (FPC), professor de educação física e introdutor da Capoeira na USP. O Mestre Gladson na época e ainda hoje era e é um dos Mestres mais técnicos e conceituados da Capoeira brasileira. Com o Mestre Gladson tive a oportunidade de fazer vários cursos preparatórios para tornar-me Contra-Mestre e Mestre.

Quando recebi a graduação de formado e fui fazer os cursos na FPC, o Mestre Zim me colocou para dar aulas de capoeira aos sábados no nosso Grupo. Em 1990, ao receber a graduação de Contra-Mestre pela FPC, o Mestre Zim me fez um pedido dizendo se eu gostaria de dar continuidade ao trabalho do Grupo Ginga Paulista, porque, por motivos pessoais, ele teria de se afastar da Capoeira e não queria que o Grupo Ginga Paulista acabasse. Eu aceitei e disse a ele na época que tinha muita honra e orgulho de dar continuidade ao trabalho.

Em 1991, recebi a graduação de Mestre pela FPC e pela Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), sendo reconhecido como um dos Mestres mais jovens da Capoeira brasileira na época aos 21 anos.

Desde que assumi a direção da Ginga Paulista, começamos a participar de vários eventos de Capoeira, como batizados, festivais de Capoeira, cursos na FPC e campeonatos nos quais ganhamos várias premiações.

Eduardo - Como está a Capoeira de hoje comparada com a Capoeira da época quando o senhor começou?
Mestre Nelson - Antigamente se jogava a Capoeira usando-se apenas movimentos de Capoeira. Era uma Capoeira que respeitava as tradições, sendo bem jogada, com muita malícia, técnica e que respeitava o berimbau e o mestre que o estava tocando.

Hoje em dia, a Capoeira mudou muito. Ela cresceu muito, é praticada em cada canto do Brasil e do mundo, o que é muito positivo. Porém, a tradição da Capoeira de raiz está se perdendo, porque os formados, monitores, professores e Contra Mestres não estão se especializando nos cursos de órgãos oficiais da Capoeira, ficando restritos apenas ao treinamento e conhecimento do seu próprio Grupo. O Capoeirista pode ser especializado em algum estilo de Capoeira, Angola ou Regional, porém ele tem que ser completo.

Eduardo - Mas Mestre, o que significa ser um capoeirista completo?
Mestre Nelson - É conhecer as tradições da Capoeira. Saber jogar em qualquer roda, saber tocar todos os toques, saber cantar, saber falar da história da Capoeira, saber o Maculelê, saber a Puxada de Rede, saber o Samba de Roda e tudo que faz parte da riqueza da Capoeira. É importante o Capoeirista participar de encontros, cursos e eventos com os grandes especialistas da Capoeira, para se atualizar e conhecer o que está acontecendo no mundo da Capoeira.

Eduardo - O que é a Capoeira Contemporânea e por que tem sido criticada pelos mestres antigos?
Mestre Nelson - É um estilo de Capoeira que se distanciou das tradições antigas. Nela, se usa diversos movimentos e golpes de outras artes marciais e o jogo costuma ser mais duro, travado e mais disputado. A beleza de uma Capoeira bem jogada, onde os dois capoeiristas dentro da roda mostram suas técnicas e a harmonia dos movimentos como se os dois fossem apenas um, nós não vemos na Capoeira Contemporânea.

Os mestres antigos criticam este estilo por causa da violência e do desrespeito às tradições da Capoeira bem jogada.

Eduardo - Fale um pouco sobre a relação aluno-mestre.
Mestre Nelson - O mestre para o aluno é como um pai, um amigo, um psicólogo, pois sempre estamos ajudando no crescimento, na educação e na evolução do aluno para que ele seja uma pessoa melhor, mais feliz.

Já o Mestre aprende a como lidar com cada aluno, pois cada pessoa é diferente da outra e tem as suas próprias necessidades e desafios a superar: umas são mais tímidas, outras mais extrovertidas, outras tem medo e baixa auto-estima.

Eduardo - Quais são os seus projetos e planos para o futuro?
Mestre Nelson - Há dois anos, criei no Orkut o “Centro Cultural Virtual Ginga Paulista”, onde eu mostro não só o trabalho que desenvolvemos na Ginga, mas também divulgo o trabalho de outros profissionais da Capoeira, dizendo o que cada um está fazendo no mundo da Capoeira.

Este trabalho está ajudando muitos capoeiristas a conhecerem grandes mestres e as atividades de muitos Grupos. Ou seja, o “Centro Cultural Virtual Ginga Paulista” está promovendo um intercâmbio de informações e conhecimentos entre os capoeiristas de várias partes do Brasil e do mundo. Ele está ajudando a preservar as tradições da Capoeira.

Para o futuro, quero criar o “Centro Cultural Ginga Paulista” que será muito mais do que um espaço de treinamento de Capoeira, será um espaço de vivência da Capoeira, com shows, festivais, eventos. Ele será a casa do capoeirista.

Eduardo - Mestre, como os capoeiristas podem fazer parte do “Centro Cultural Virtual Ginga Paulista”?
Mestre Nelson - Acessando no Orkut http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=fpp&uid=3480017589472634726 .

Eduardo - Qual a sua mensagem para os capoeiristas?
Mestre Nelson - Para quem irá se iniciar na Capoeira e para aqueles que já são capoeiristas comecem a se dedicar e busquem conhecer tudo que puderem sobre a Capoeira. A Capoeira é uma relíquia que os grandes mestres como Bimba, Pastinha e outros deixaram para nós, a Capoeira é um patrimônio do nosso país, é uma das coisas mais bonitas que o homem já criou. Dê o seu melhor, respeite o seu próximo, combata a violência e busque ser um capoeirista completo. Valorize o seu Mestre, o seu Grupo. Leia revistas e livros sobre Capoeira. Assista os DVDs e ouça os CDs de Capoeira. Quando tiver quaisquer dúvidas ou curiosidades, converse com o seu Mestre. Participe de eventos, cursos, festivais etc, pois assim você sempre estará atualizado e será um grande capoeirista.
Eduardo - Mestre, muito obrigado pela sua participação aqui no Blog.

sábado, 11 de julho de 2009

A Capoeira e a criança

Por Mestre Nelson de Souza Aguiar e Eduardo Villela*
Hoje, falaremos sobre como a Capoeira é excelente para o desenvolvimento físico e psicosocial das crianças.

Antes de entrarmos no tema propriamente dito, gostaríamos de fazer um alerta: é recomendável que a criança comece na Capoeira a partir dos 3 anos, pois a sua prática pressupõe o domínio dos movimentos básicos do corpo. Como elas começam a andar por volta de um a um ano e meio, daí até os 3 anos, elas aprendem a noção de espaço, de equilíbrio e a ter controle dos movimentos básicos do corpo: das pernas, dos braços, do quadril, da cabeça.

Na formação do corpo, a Capoeira promove a saúde, a agilidade de raciocínio-reflexo e a consciência corporal das crianças. Elas aprendem a fazer diferentes tipos de movimentos com os braços, as pernas, a cabeça e com o corpo em geral, o que melhora e desenvolve o seu senso de equilíbrio, a sua respiração e o seu condicionamento cardiovascular, além de estimular o seu crescimento saudável, através de um bom desenvolvimento ósseo-muscular.

No aspecto psicosocial, a Capoeira ensina às crianças valores fundamentais para a formação do seu caráter, para o desenvolvimento do seu equilíbrio emocional e para o convívio em sociedade: respeito ao próximo, tolerância, solidariedade, companheirismo, espírito de grupo, disciplina, autocontrole emocional, auto-estima e diminuição e eliminação da ansiedade e da agressividade.

Por último, tanto o desenvolvimento do corpo quanto psicosocial da criança na Capoeira acontecem de uma maneira extremamente prazerosa e divertida por meio da música.

A Capoeira é uma relíquia da nossa cultura que contribui na educação das nossas crianças para a vida. No futuro, os pequenos capoeiristas de hoje terão tudo para serem grandes homens e mulheres, aptos a construírem uma sociedade de paz, esperança, amor, otimismo e perseverança.

Pratique Capoeira e acrescente alegria e anos à sua vida!
*Nelson de Souza Aguiar é mestre de capoeira e diretor do Grupo Ginga Paulista. É registrado no Conselho Regional de Educação Física (CREF), ensina e pratica esta arte há mais de 25 anos, além de ter sido diretor de arbitragem da Federação Paulista de Capoeira. Contato: (11) 9337-0232
Eduardo Villela é discípulo do Mestre Nelson de Souza Aguiar e membro do Grupo Ginga Paulista. Pratica Capoeira há 4 anos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Capoeira: uma atividade física completa



Por Mestre Nelson de Souza Aguiar* e Eduardo Villela

Hoje, falaremos sobre os movimentos da Capoeira que proporcionam um ótimo condicionamento físico e mental.

A Capoeira possui uma riqueza de movimentos e golpes que podem, assim, ser divididos:

•ginga→movimento básico da Capoeira a partir do qual todos os demais começam. Equivale ao passos de uma dança;
•rasteiras e golpes desequilibrantes→ estas técnicas desenvolvem o equilíbrio do corpo, o reflexo e fortalecem a musculatura das pernas;
•chutes→ existem vários tipos de golpes com as pernas (frontal, lateral, giratórios, etc). Eles trabalham a coordenação motora, o equilíbrio, o alongamento e a força das pernas;
•esquivas→ estes movimentos funcionam como defesas contra ataques frontais e laterais, melhorando o reflexo e a agilidade;
•cabeçada→usa-se a cabeça para realizar ataques, como também para desequilibrar o seu companheiro quando ele executa o “Aú” (espécie de estrela);
•braços→embora na capoeira a grande maioria dos movimentos são feitos com as pernas, existem alguns movimentos com os braços, utilizados como treinamento para defesa pessoal;
•acrobacias→são movimentos de saltos e cambalhotas que trazem uma grande beleza e harmonia na roda de capoeira.
Eles são realizados como demonstração das habilidades físicas do capoeirista e sempre encantam o público. Desenvolvem o alongamento, o equilíbrio, a coordenação motora, a agilidade e a força nos braços.

Todos estes movimentos e golpes fazem da Capoeira um esporte completo que melhora o corpo e a mente: todas as partes do corpo são trabalhadas e tonificadas; o raciocínio, a agilidade mental, o reflexo e a coordenação motora são desenvolvidos e estimulados todos os dias nos treinamentos.

Pratique capoeira e acrescente alegria e anos a sua vida!
*Mestre de capoeira e diretor do Grupo Ginga Paulista. É registrado no Conselho Regional de Educação Física (CREF), ensina e pratica esta arte há mais de 25 anos, além de ter sido diretor de arbitragem da Federação Paulista de Capoeira. Contato: (11) 9337-0232

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Música na Capoeira



Por Mestre Nelson de Souza Aguiar* e Eduardo Villela

No texto de hoje, falaremos um pouco sobre a música na capoeira. Primeiro, discutimos o porquê da musicalidade presente na capoeira. Num segundo momento, apresentamos os instrumentos que usamos no jogo.

Os movimentos da capoeira (chutes, rasteiras, esquivas, cabeçadas, golpes com as mãos e outros) surgem como forma de resistência do negro à escravidão. Se os escravos praticassem tais movimentos abertamente e diretamente, como tradicionalmente é o treinamento de outras artes marciais, eles seriam duramente repreendidos pelos senhores de engenho, fazendeiros de café e seus homens de confiança (feitores e capitães-do-mato).

Assim, os negros combinaram os movimentos com suas tradições musicais e de dança, dando a capoeira um disfarce, para que tivesse condições de ser praticada e se desenvolvesse. “Como modalidade de luta, a capoeira era treinada nas fazendas como coreografia que simulava uma dança inocente aos olhos dos feitores e senhores de engenho. (...) De acordo com a Enciclopédia Barsa, o acompanhamento musical, usado ainda hoje nas rodas de capoeira, era uma forma de os escravos camuflarem a sua verdadeira intenção, que era ‘exercitar-se para enfrentar, em época oportuna, o braço armado do branco’.”[1]

Em relação aos instrumentos, a capoeira é formada por: berimbau, atabaque, pandeiro, reco-reco e agogô. Estes instrumentos tocados em conjunto proporcionam a harmonia e a beleza das cantigas e ladainhas as quais dão o ritmo dos movimentos dos capoeiristas na roda.
Pratique capoeira e acrescente alegria e anos a sua vida!

*Mestre de capoeira e diretor do Grupo Ginga Paulista. É registrado no Conselho Regional de Educação Física (CREF), ensina e pratica esta arte há mais de 25 anos, além de ter sido diretor de arbitragem da Federação Paulista de Capoeira. Contato: (11) 9337-0232

[1] LIMA, Mano. Dicionário de Capoeira. Brasília, março de 2006. 2ªedição revista e ampliada, 208p.